Gêneros Literários

2019-02-01 1 min de leitura

Havia um país que era governado por gêneros literários. O presidente era um mito que se elegeu vendendo fábulas numa campanha que foi pura fantasia, e montou um governo que, para todos os fins práticos, era uma farsa. Uma vez feito isso, não custou muito até que essa comédia de país degenerasse em uma tragédia. Não grega, mas puramente brasileira.

A oposição, que se dividia entre um punhado de crônicas razoavelmente escritas (que foram simplesmente ignoradas) e uma turba de bardos órfãos que cantavam uma epopeia duvidosa sobre um ex-presidente preso, injustamente ou não, não vem ao caso, era cada vez mais perseguida pelos lotófagos viúvos da ditadura.

Nesse teatro, sempre que alguém tentava escrever uma ode aos heróis perseguidos e mortos pelas milícias, os apoiadores destas vomitavam melodrama e transformavam a elegia numa novela mórbida e interminável. Um horror.

E ao povo, que se podia tipificar como piada, só restou para usar como muleta a ficção.